A CBHPM, Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, é publicada pela Associação Médica Brasileira e organiza, de forma hierarquizada, os procedimentos realizados na medicina brasileira. Ela abrange todas as especialidades e estabelece um padrão mínimo aceitável de remuneração profissional. A edição mais recente é a de 2022.
Para o cirurgião, ela é a régua. Não porque o convênio pague exatamente o que está nela, mas porque é a partir dela que a negociação acontece.
Como o valor é composto
Um procedimento na CBHPM não tem um número único. Ele tem componentes, e cada um pode ser tratado de forma diferente no contrato com a operadora:
- Porte cirúrgico. É a hierarquização do procedimento por complexidade e tempo. Quanto maior o porte, maior o honorário do cirurgião.
- Porte anestésico. Classifica a complexidade da anestesia daquele procedimento, e remunera o anestesiologista.
- UCO, Unidade de Custo Operacional. Cobre o custo de estrutura envolvido na realização do procedimento.
- Número de auxiliares. A classificação prevê quantos auxiliares aquele procedimento comporta, e a remuneração deles é calculada em proporção ao valor do cirurgião.
Cirurgia é trabalho de equipe, e a conta reflete isso. Deixar de lançar corretamente auxiliares e porte anestésico é uma das formas mais silenciosas de perder receita.
Por que o convênio quase nunca paga a tabela cheia
Este é o ponto que gera mais frustração, e onde mais falta clareza.
A CBHPM é uma referência, e não um valor de observância obrigatória pelas operadoras. O que você recebe decorre do contrato assinado com cada convênio, e esse contrato costuma trabalhar com algum destes arranjos:
- Percentual da CBHPM, aplicado sobre a edição combinada.
- Edição antiga da tabela como base, o que reduz o valor sem parecer que reduziu.
- Valor próprio da operadora para determinados portes.
- Fatores diferentes para cada componente, por exemplo pagando o porte cirúrgico de um jeito e a UCO de outro.
Qual edição da CBHPM está no seu contrato com cada convênio, e qual fator se aplica a cada componente? Quem não sabe responder isso não tem como saber se está sendo pago corretamente, e muito menos como sustentar um recurso de glosa.
Onde a CBHPM encontra a glosa
Boa parte das glosas técnicas nasce de divergência sobre porte e equipe, e vira trabalho de recurso de glosa. Os casos mais frequentes:
- Porte cobrado acima do que a descrição cirúrgica sustenta. Se o relatório do procedimento é genérico, a operadora reduz o porte, e sem documento não há como reverter.
- Auxiliares glosados por não constarem na autorização ou por excederem o previsto para aquele procedimento.
- Procedimentos múltiplos na mesma cirurgia, onde existem regras de redução sobre o segundo e o terceiro procedimento. Desconhecer essa regra gera cobrança que será cortada.
- Via de acesso e lateralidade não especificadas, o que permite à operadora enquadrar o procedimento em código TUSS de menor valor.
Em todos esses casos, o que decide a disputa não é a razão clínica: é o registro.
O que fazer com essa informação
- Levante, convênio a convênio, qual edição e quais fatores estão contratados.
- Compare o que foi pago com o que era devido, por procedimento, e não pelo total do mês.
- Padronize a descrição cirúrgica de modo que ela sustente o porte cobrado.
- Garanta que a equipe completa esteja prevista já na autorização.
- Trate contrato defasado como pauta de renegociação, com dado na mão.
Como a RM trata isso
A RM confere o que foi pago contra o que era devido em cada procedimento, considerando porte, equipe e as regras contratuais de cada operadora. Quando aparece diferença, ela vira recurso. Quando o padrão se repete, vira argumento de renegociação de contrato.
É o tipo de trabalho que raramente cabe na rotina de quem também atende telefone e marca consulta.
Perguntas frequentes
Qual é a edição vigente da CBHPM?
A edição mais recente publicada pela Associação Médica Brasileira é a de 2022. Ainda assim, muitos contratos com operadoras seguem baseados em edições anteriores, o que precisa ser verificado contrato a contrato.
O convênio é obrigado a pagar a CBHPM?
A CBHPM é uma referência de remuneração proposta pela classe médica, e não uma tabela de observância obrigatória pelas operadoras. O valor efetivo decorre do contrato firmado entre o prestador e cada plano.
O que é UCO?
É a Unidade de Custo Operacional, componente que cobre o custo de estrutura envolvido na realização do procedimento, separado do honorário do cirurgião e do porte anestésico.
Como saber se estou recebendo menos do que deveria?
Comparando procedimento a procedimento o valor recebido com o valor devido segundo o contrato, e não olhando apenas o total depositado no mês. A diferença costuma estar em componentes específicos, como auxiliares e porte.
Você sabe se está recebendo o que deveria?
A RM faz um diagnóstico gratuito e compara o que você produziu com o que efetivamente entrou.
Quero um diagnóstico gratuitoConteúdo informativo. A CBHPM é publicada pela AMB e os valores praticados dependem do contrato firmado com cada operadora.